O Porto de Lisboa não é um empecilho — é parte do futuro!

 Durante os últimos dias li, nesta rede, uma publicação a defender que Lisboa deveria fechar o seu porto e apostar exclusivamente no turismo e no imobiliário de luxo. A justificação era simples: os navios, os contentores e os camiões “estragam a paisagem”.


Hoje, esta imagem faz-me lembrar porque essa visão está longe da realidade.

Este navio veio a Lisboa porque o estuário do Tejo oferece condições únicas na Europa. A sua dimensão, a existência de diferentes zonas operacionais — da Ponte 25 de Abril ao Mar da Palha — e uma barra que raramente encerra, permitindo manter a atividade mesmo durante condições meteorológicas adversas, como aconteceu na tempestade Kristine, fazem do Porto de Lisboa um ativo estratégico para Portugal.

Mas há algo ainda mais importante.

A operação que hoje realizámos corresponde a uma exportação. Ou seja, estamos a ajudar empresas portuguesas a colocar os seus produtos nos mercados internacionais, gerando riqueza para o país.

Uma única escala como esta mobiliza pilotos, rebocadores, amarração, estivadores, operadores portuários, agentes de navegação, transportadores, autoridades portuárias, inspeções e muitas outras empresas. São dezenas de profissionais qualificados que criam valor acrescentado para a economia nacional.

O turismo é essencial para Portugal. Mas a economia de um país não se constrói apenas com hotéis, restaurantes e alojamento local. Precisamos também de uma indústria forte, de exportações competitivas e de portos eficientes.

Não existe incompatibilidade entre turismo e atividade portuária. Basta olhar para cidades como Roterdão, Hamburgo, Antuérpia, Barcelona ou Génova. Todas souberam desenvolver o turismo sem abdicar da importância estratégica dos seus portos.

Lisboa também pode (e deve) fazer o mesmo.

Porque nunca devemos esquecer a nossa história.

Lisboa tornou-se uma grande cidade graças ao seu porto. Foi o porto que fez crescer Lisboa, e não o contrário.





Comentários

Postagens mais visitadas