Produtividade em Portugal
Vou ser sincero: como engenheiro, tenho alguma dificuldade em perceber a forma simplista como, tantas vezes, se afirma que Portugal tem “um problema de produtividade”.
A primeira pergunta deveria ser: que produtividade estamos efetivamente a medir?
A produtividade de um comercial não se mede da mesma forma que a de um operador de uma linha de produção. Um estivador não tem os mesmos indicadores de desempenho de um trabalhador administrativo. E uma empresa industrial, intensiva em capital e tecnologia, não pode ser diretamente comparada com uma microempresa de serviços.
Talvez seja necessário aprofundar um pouco mais esta discussão.
Portugal é um país constituído maioritariamente por microempresas e PME, com um peso muito significativo dos serviços e do turismo. Nesse contexto, não deveríamos falar também da qualidade da gestão, da formação das lideranças, da dimensão das empresas, da capacidade de investimento, da tecnologia e da inovação?
O debate sobre a produtividade não pode ficar sistematicamente reduzido à legislação laboral, aos horários de trabalho ou à facilidade de contratar e despedir.
É preciso conhecer melhor o país real e perceber, setor a setor, onde estão verdadeiramente os bloqueios.
Na agricultura, por exemplo, talvez a produtividade aumente mais através de investimento sério em mecanização, automação, tecnologia, gestão da água e agricultura de precisão do que através de alterações à legislação laboral. E talvez seja igualmente importante discutir se alguns modelos de apoio público estão realmente a incentivar investimento e modernização ou apenas a perpetuar determinadas estruturas.
Estou apenas a pensar em voz alta.
Mas talvez, antes de discutirmos como fazer os portugueses trabalharem mais, devêssemos perceber como podemos criar condições para que cada hora de trabalho produza mais valor.
Porque produtividade não é trabalhar mais horas.
É produzir mais valor com os recursos disponíveis.


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