Jorge Palma


Falar de Jorge Palma é difícil para mim.

Mas vamos lá.

Jorge Palma é, talvez, um dos melhores compositores que temos na nossa história e, ao mesmo tempo, um dos músicos portugueses que menos reconhecimento recebe quando pensamos na dimensão da sua obra.

Há músicas que ficam associadas a momentos específicos da nossa vida. No meu caso, Jorge Palma escreveu algumas delas.

“Só”, “Encosta-te a Mim”, “Frágil” ou “Portugal, Portugal” são apenas alguns exemplos. Canções que atravessaram diferentes fases da minha vida e que continuam a fazer sentido muitos anos depois.

Jorge tem uma característica que sempre apreciei: uma enorme humanidade.

Talvez não seja o músico mais preocupado com a imagem, com o espetáculo ou com a perfeição exterior. Nunca foi essa, provavelmente, a essência da sua música.

A força está precisamente noutro lugar.

Está nas palavras.

Está na forma como escreve sobre as pessoas, sobre as relações, sobre as fragilidades, sobre o país e sobre a própria vida. Muitas vezes com uma aparente simplicidade que esconde uma profundidade enorme.

É daqueles artistas que consegue colocar numa canção coisas que muitos de nós sentimos, mas que dificilmente conseguimos explicar.

E isso não é pouco.

Há músicos que fazem grandes canções. Há outros que conseguem acompanhar-nos durante partes importantes da nossa vida.

Para mim, Jorge Palma pertence claramente ao segundo grupo.


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