Infraestruturas Estratégicas: Os Lucros Não Podem Ser Privados e os Prejuízos Públicos

 Não é apenas por isto que defendo que o Estado português deve ter uma participação na REN.

Defendo-o porque a nossa rede elétrica precisa de ser reforçada e modernizada. E quando falamos de uma infraestrutura estratégica para o país, não podemos olhar apenas para o lucro ou para a rentabilidade de curto prazo. É preciso investir.
E há uma questão que me parece evidente: se queremos atrair para Portugal centros de dados, Inteligência Artificial e outras indústrias altamente consumidoras de energia, então o investimento na nossa rede elétrica terá de ser significativo. Precisamos de uma rede mais robusta, resiliente e preparada para as necessidades das próximas décadas.
Existem várias formas de o Estado pressionar ou regular uma empresa estratégica como a REN. Para mim, uma das mais eficazes é estar presente na própria decisão, através de uma participação no capital.
Se as pessoas nomeadas pelo Estado serão ou não competentes, isso já é outra discussão (e uma discussão igualmente importante).
Neste caso concreto, aquilo que considero essencial é garantir investimento no reforço da rede, para que esta consiga servir empresas, famílias e o desenvolvimento económico do país, sem que sejam sempre os contribuintes ou os consumidores a suportar a fatura.
Porque tudo isto é muito bonito quando existem lucros e dividendos para distribuir.
O problema surge quando aparecem os grandes investimentos ou os prejuízos.
E aí não podemos repetir modelos que já conhecemos demasiado bem: os lucros ficam no privado e os prejuízos acabam por ser socializados e pagos pelos contribuintes.
Esse não pode ser o modelo para infraestruturas estratégicas de um país. Em cinco anos, fundador da Zara lucrou até 169 milhões com investimento na REN – ECO



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