O Benfica depois de sete jogos oficiais: sinais positivos, mas ainda muito por melhorar

O Benfica já realizou sete jogos oficiais esta época. Os resultados não são negativos — quatro vitórias, dois empates e uma derrota —, mas os números e, sobretudo, algumas exibições mostram que ainda estamos numa fase de construção.

Um dos empates, frente ao Académico de Viseu, parece-me claramente penalizador face ao que aconteceu em campo. Pelo volume ofensivo criado, o Benfica merecia ter vencido, e até por uma margem confortável. Nos restantes encontros, temos visto aquilo que considero uma espécie de pré-época feita já em competição, com Marco Silva ainda a trabalhar processos, a integrar jogadores e a perceber as melhores soluções para o plantel.

O que considero positivo

1. Jogo ofensivo e circulação de bola

Vejo um Benfica mais interessado em ter a bola, circular com qualidade e procurar soluções ofensivas. Ainda há muito para aperfeiçoar, mas a ideia de jogo começa a ser perceptível.

2. Gestão do plantel

Marco Silva tem conseguido apresentar boas exibições utilizando, em grande parte, o plantel que transitou de 2025/26. Em vários momentos, chegou a fazê-lo praticamente com apenas um reforço no onze inicial. Isso também demonstra capacidade para trabalhar e valorizar aquilo que já existia no clube.

3. O regresso da mística à Luz

Parece-me também que o Benfica está novamente a criar uma ligação forte com os adeptos no Estádio da Luz. O futebol de Marco Silva, mais ofensivo e intenso, faz-me recordar, guardadas naturalmente as diferenças, aquilo que Jorge Jesus conseguiu criar quando chegou ao Benfica: uma equipa que procurava entusiasmar quem estava nas bancadas.

4. Maior discrição no mercado

Também considero positivo o trabalho desenvolvido nas contratações. Tirando o processo de Palhinha, praticamente não tivemos grandes “novelas” públicas.

Mário Branco merece mérito neste ponto. Independentemente das simpatias clubísticas que possa ter, estamos a falar de um profissional e é importante saber separar a vida profissional das preferências pessoais.

O padrão das últimas contratações tem sido curioso: de manhã surge o primeiro rumor, durante a tarde os programas televisivos passam horas a discutir o jogador e, ao final do dia, a operação está praticamente concluída. E, por vezes, João Malheiro acaba por dar aquela confirmação final antes da chegada do jogador.

Prefiro claramente este modelo a semanas de rumores, fugas de informação e negociações discutidas diariamente na comunicação social. Até figuras normalmente bem informadas sobre o universo benfiquista parecem ter hoje muito mais dificuldade em antecipar as decisões do clube.

O episódio do novo defesa-central foi um bom exemplo. Houve especulação sobre vários nomes, incluindo José María Giménez e Škriniar, e acabou por chegar Lenglet. Para mim, é saudável que o Benfica consiga trabalhar sem transformar cada negociação num espetáculo público.

5. Comunicação de Marco Silva

Outro ponto que considero bastante positivo é a comunicação do treinador. Parece-me existir uma clara melhoria na forma como o Benfica comunica através do seu treinador: Marco Silva é ponderado, tranquilo e transmite uma mensagem geralmente clara para o exterior.

Onde precisamos de melhorar

1. Defesa institucional do Benfica

A administração precisa de ser mais firme na defesa dos interesses do clube. Questões como o encerramento do estádio ou os direitos televisivos exigem uma posição clara.

Isto não significa responder a tudo ou entrar constantemente em guerras públicas. Significa escolher os momentos certos, utilizar os mecanismos legais disponíveis e defender institucionalmente o Benfica com firmeza.

2. Organização defensiva

Dentro de campo, continuamos demasiado permissivos em alguns momentos. Uma equipa que pretende conquistar títulos precisa de maior segurança e consistência defensiva.

3. Resposta ao ruído mediático

O Benfica também deve encontrar uma forma inteligente de contrariar determinadas narrativas televisivas. O debate em torno do salário de Palhinha é apenas um exemplo. Existem comentadores cuja intervenção parece estar constantemente orientada para criar polémica em torno do clube.

Não defendo guerras com jornalistas ou comentadores. Defendo informação, transparência e comunicação profissional que permita desmontar determinados assuntos quando estes não correspondem à realidade.

4. A oposição também precisa de saber escolher os momentos

Os adeptos que não se reveem nesta direção têm todo o direito de criticar Rui Costa de defender alternativas. Isso faz parte da democracia interna do Benfica.

Mas existe uma diferença entre oposição construtiva e contestação permanente.

João Diogo Manteigas, o movimento Servir o Benfica e outros setores da oposição deveriam, na minha opinião, refletir sobre a estratégia seguida. Um clube não beneficia de estar permanentemente em campanha eleitoral.

Rui Costa venceu as eleições com cerca de 65% dos votos. Os restantes 35% têm naturalmente todo o direito de discordar, fiscalizar e apresentar alternativas. Mas também é importante perceber porque é que perderam as eleições.

Classificar quem votou de forma diferente como “burros”, “carneirada” ou pessoas sem capacidade crítica apenas aumenta a divisão entre benfiquistas e dificilmente ajuda alguém a conquistar uma maioria no futuro.

No Benfica devemos discutir ideias, projetos, resultados e modelos de gestão. Podemos discordar profundamente sem transformar outros benfiquistas em adversários.

A época ainda está no início. Há sinais interessantes no trabalho de Marco Silva, mas também problemas evidentes que precisam de ser corrigidos. No final, como sempre no futebol, serão os resultados e a evolução da equipa que determinarão se o caminho escolhido foi o correto.




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